Ai de ti, Brasil,
que não fizeste reforma alguma e que deixaste os corruptos usarem a democracia
para destruí-la. Malditos os laranjas e as firmas sem porta.
Ai de ti, Miami,
para onde fogem os ladrões que nadam em vossas piscinas em forma de vagina e
corcoveiam em jet skis, gargalhando de impunidade. Malditas as bermudas
cor-de-rosa, barrigas arrogantes e carrões que valem o preço de uma escola.
Ai de vós, celebridades
cafajestes, que viveis como se estivésseis na Corte de Luís XIV, entre bolsas
Chanel, gargantilhas de pérola, tapetes de zebra e elefantes de prata. Portais
em vosso peito diamantes em que se coagularam as lágrimas de mil meninas
miseráveis.
Ai de vós,
intelectuais, porque tudo sabeis e nada denunciais, por medo ou vaidade. Ai de
vós, acadêmicos que quereis manter a miséria “in vitro” para legitimar vossas
teorias. Ai de vós, “bolivarianos” de galinheiro, que financiais países
escrotos com juros baixos, mesmo sem grana para financiar reformas estruturais
aqui dentro.
Ai de vós, “amantes
do povo” – malditos os que usam esse falso “amor” para justificar suas
apropriações indébitas e seus desfalques “revolucionários”. Ai de vós, que
dizeis que nada vistes e nada sabeis, com os crimes explodindo em vossas caras.
Malditos os fundos
de pensão intocáveis e intocados, com bilhões perdidos na Bolsa, de propósito,
para ocultar seus esbulhos e defraudações. Malditos também empresários das
sombras. Malditos também os que acham que, quanto pior, melhor.
Ai de vós,
advogados do diabo que conseguis liminares em chicanas que liberam criminosos
ricos e apodrecem pobres pretos na boca do boi de nossas prisões. Maldita seja
a crapulosa legislação que vos protege há quatro séculos. Malditos os
compradiços juízes, repulsivos desembargadores, vendilhões de sentenças para
proteger sórdidos interesses políticos.
Sei que não adianta vos
amaldiçoar, pois nunca mudareis a não ser pela morte, guerra ou catástrofe
social que pode estar mais perto do que pensais.
(Fragmentos
do texto Ai de ti, Brasil de autoria de Arnaldo Jabor publicado em junho/2015
em https://www.otempo.com.br/opiniao/arnaldo-jabor/ai-de-ti-brasil-1.1051847)
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