É verdade que a natureza se beneficia com a redução da
atividade econômica e da mobilidade social para respirar e se renovar, mas
sabemos que processos profundos de recuperação devem ser aferidos depois de
muitos anos e não em dias.
É verdade que os governos dos países não têm sido tão
solidários como deveriam ser. As grandes potências não cooperam entre si para
organizar uma solução para crise e, enquanto isso, os países em desenvolvimento
vão sofrendo com a ausência de equipamentos, profissionais de saúde e de
recursos financeiros.
É verdade que uma sociedade com desigualdades tão marcantes
como a nossa não tem condições de garantir uma sobrevivência asséptica a
qualquer de seus segmentos, ricos ou pobres.
É verdade que este microscópico e desprezível vírus veio para chacoalhar nossa sociedade injusta e preconceituosa, mas por enquanto os mais ricos e
poderosos (incluindo corruptos, ladrões de merenda escolar, etc.) estão escapando em maior número enquanto os pobres estão morrendo as pencas.
É verdade que muitos políticos brasileiros e algumas autoridades se aproveitam desta pandemia para fazer valer suas idéias e projetos muitos deles com
interesses escusos.
É verdade que precisamos acreditar no surgimento de um novo
mundo no qual a solidariedade esteja acima da ânsia pelo acúmulo dos bens
materiais, mas ainda não há um sentimento generalizado de que sem cooperação
mútua a travessia da crise será muito mais penosa.
É verdade que já passou da hora dos ricos investidores do
mercado financeiro, que lucram com a especulação e contribuem com nada, compreenderem que precisam desempenhar um papel importante no apoio
financeiro ao combate desta pandemia. Devem ser solidários espontânea ou
compulsoriamente.
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