É verdade que nessa crise global que vivemos temos uma
oportunidade única de repensar radicalmente nossas práticas e modos de estar
no mundo, quando mais do que nunca o indivíduo como categoria não dá conta dos
seres sociais que somos. (Daniel Teixeira)
É verdade que essa epidemia vai passar, mas não vai ser a
última. Muitos morrerão, não há dúvida. E os que ficarão bebem dessa
oportunidade de refletir sobre a impermanência e a não substancialidade do ser
humano. É uma pandemia que nos ajuda a entender a nossa limitação e a
precariedade de qualquer posição que defenda arrogâncias, excepcionalismos e autossuficiências.
Ninguém é e nem poderá ser autossuficiente. (Faustino Teixeira)
É verdade que em momentos como os que estamos
vivenciando, fica muito mais difícil o exercício de canais legitimadores do campo
da plausibilidade do sentido, uma vez que estão fragilizadas as práticas
normais destinadas a silenciar dúvidas e prevenir lapsos de convicção. (Peter
L. Berger)
É verdade que essa não é a primeira nem será a última
pandemia vivida em nosso tempo. Em 1918 a gripe espanhola contaminou 500
milhões de pessoas, ou seja, 27% da população mundial na época matando entre 17
e 50 milhões. Em 1957, a gripe asiática causou alguns milhões de mortes. Em
1968 a gripe de Hong Kong, 2009 a gripe suína, e em 2003 a SARS também causaram muitas mortes. O HIV-Aids a
partir de 1981, o Ebola em 2013 e a Zika em 2015 dizimaram multidões. (Glauce
Cavalcante)
É verdade que já podemos ter saído da zona de segurança em
pelo menos três processos – a taxa da perda da biodiversidade, a interferência
humana no ciclo do nitrogênio e as mudanças climáticas, estando perto de outros
limites relacionados ao uso da água doce, da mudança no uso da terra e a
acidificação dos oceanos. (Danowski e V. de Castro)
É verdade que por um lado, há a esperança de que este seja
um momento de redescoberta da intimidade, dos valores primários, do diálogo e
da união; por outro lado, a família pode se tornar o local máximo da
intolerância, o ambiente onde descarregar a raiva, lançar acusações mútuas. Não
vamos esconder que a situação é muito difícil. (Bruno Latour)
É verdade que a irradiação do coronavírus traz o risco
crescente da xenofobia com o medo do estrangeiro que impulsiona a erigir
barreiras e muros, do medo de tudo que vem de fora, e que obriga as pessoas a
fecharem-se em seus nichos, a imunizar-se e proteger-se. (Donatella di Cesare)
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